O problema do atual jornalismo brasileiro de games

O problema do atual jornalismo brasileiro de games

5 de abril de 2018 0 Por Davidson Prata

O  problema

O atual cenário do jornalismo brasileiro de games é um problema invisível. A culpa disso tudo isso? Talvez seja nossa, do público. “Como assim Davidson?” Você deve está se perguntando…esse é um problema que eu me peguei pensando sobre nos meados de 2016.

Você já reparou qual é o foco dos grandes portais especializados em games no Brasil? Pois é, as notícias são sobre a nova fase do tão aclamado God of War, do sucesso de vendas de Monster Hunter e Far Cry 5, ou ainda do hype sobre The Last of Us – Part 2. E se formos falar dos consoles a coisa só piora, Nintendo Switch, Xbox One X, PS4 PRO, VR (sigla para realidade virtual em inglês) ou ainda da resolução 4K.

Solução?

Veja bem, eu não sou o senhor da razão e estou aqui apenas expondo a minha opinião. Mas cadê todo aquele material que se produzia antigamente nas resvistas? Se traduzia jogos (ou será que brasileiro hoje em dia é fluente em inglês?). OK, hoje em dia tudo é SPOILER! Mas poderia ter aquelas materias gigantescas explicando detalhadamente o lore daquela franquia enorme que você adora e não teve a oportunidade de jogar, mas agora, está juntando seus trocados há meses pra fazer a pre-order do novo título.

Aqueles especialistas em gaming PC com materias explicando rapidamente a importância dos componestes e quais são as opções para se montar um computador acessível. Sabe, um computador que rode os “mais aclamados” Free to play (jogos gratuitos) na Steam (maior plataforma de jogos para PC no mundo). Nem tudo tem que ser press release (notícias) ou gameplay.

Falando no diabo, vamos falar um pouco sobre os Free to play e gameplay em seguida.

O efeito do BOOM da internet no Brasil

Com o boom da internet e a popularização dos serviços como o Patreon e Crowdfunding (plataformas de doações e financiamento coletivo respectivamente) se imaginava que os novos portais que estavam nas mãos dos nerds e gamers (Jovem Nerd, Omelete, etc.) poderia ser produzido conteúdo mais voltado para nós, o gamer brasileiro. Mas não foi o que aconteceu. Eles se tornaram “a grande mídia” junto com outras grandes marcas gringas que vieram para o Brasil. Esse não é o problema em si, ainda temos um mundo de nerds por aí produzindo conteúdo. Tem o Youtube, podcast até os pequenos blogs e sites como este. Mas não, tudo é gameplay e ninguém fala dos mais populares Free to play aqui na nossa terrinha tupiniquim. Em plena crise econômica e com o Real desvalorizando a gente só tem notícia dos AAA (jogos de grande orçamento). Ah se todo Crowdfunding fosse para produzir isso:

Tudo que você precisa saber de Quando os Videogames Chegaram no Brasil

Ou do documentário “Paralelos” que fala popularizacão dos arcades customizados nos anos 70. Ah lembra que eu prometi falar dos Free to play? Pois é, a coisa piora!

O real cenário de games no Brasil

Como eu disse lá no início, parte da culpa é do público brasileiro que não exige mais conteúdo. Isso talvez ocorra porque esse público nem se quer lê o atual jornalismo brasileiro, mas e os jornalistas? A maioria inocentimente não percebe a responsabilidade que se tem nas mãos de tão deslumbrados que estão. Não me entendam mau, ter a oportunidade de estar em um grande portal deve ser incrível. Eu mesmo um dia (sonhar não custa) quero galgar essa oportunidade.

Vamos aos números no Brasil:

Quase 1.6 milhão de brasileiros jogam DOTA 2, mais de 1.2 milhão jogam Paladins, mais de 740 mil jogam Brawlhalla, mais de 550 mil jogam Battlerite, 480 mil jogam Black Squad e mais de 290 mil jogam Unturned. Essas informações são do SteamSpy e os números referente a Março de 2018.

Eu apostaria meu rico dinheirinho (se houvesse algum) que vocês não conhecem todos esses games. Battlerite e Unturned são os meus ilustres desconhecidos. Como esses jogos são tão populares por aqui e a gente não tem notícia sobre eles? Atualizações, mods, esses jogos vem recebendo updates frequentemente.

Há luz no fim do túnel.

paladins

Mais de 1.2 milhão de brasileiros estão jogando Paladins na Steam.

Brawlhalla

Mais de 740 mil brasileiros estão jogando Brawlhalla na Steam.

Particularmente, gosto bastante do trabalho do UOL. OK…eu sei o que vocês estão pensando! “Como você fala isso Davidson…eles abusam dos click-baits!!! É verdade, eu mesmo já caí em algumas armadilhas deles que vou te falar viu… Por outro lado, eles fazem entrevistas com desenvolvedores (alguns brasileiros), matérias informativas com fontes confiáveis (isso é importante galerinha)

Outra grata surpresa é a IGB Brasil, apesar de toda a polêmica em que eles se envolveram no passado recente há dois pontos que não podem ser ignorados. O quadro “Gamepedia” com a Flavia Gasi é um primor de qualidade e cuidado com o conteúdo. Tem também o IGN Hype que é um podcast onde vez por outra eles abordam assuntos relacionados a realidade do gamer brasileiro que vive a margem desse jornalismo tão “hypado”.

Então galerinha, fiquem espertos e garimpem por conteúdo de qualidade e não menos importante, não acreditem em tudo que se diz por aí! Principalmente por alguns gurus “Zé-ninguém” de um sitezinho qualquer mixuruca como esse que vos fala. Estamos entendidos? Qualquer coisa deixe seu comentário ai abaixo ou me siga lá no Twitter que nós trocamos uma ideia.