Mitologia e games – Parte 1 – Grécia

Mitologia e games – Parte 1 – Grécia

24 de outubro de 2018 0 Por Jorge Alexandre

Diversos games possuem um universo que lhes é próprio. Seus personagens, lugares e eventos pertencem a um plano separado costruindo uma mitologia própria. É mais ou menos como o “há muito tempo atrás, em uma galáxia muito distante” de Star Wars. Ou talvez como as séries televisivas nas quais “qualquer semelhança com a verdade é mera coincidência”.

E os jogos que vão na direção oposta? Eles se amarram a um determinado tempo e espaço que tende à coerência ou verossimilhança. Este é o caso de Red Dead Redemption (início do século XIX num mapa que condensa os EUA e o México), por exemplo. Também podemos pensar o mesmo sobre os games da série Assassin’s Creed, Mafia, Total War e assim por diante.

Mas há uma terceira categoria. Estão nela os jogos que tomam emprestados vários elementos da mitologia de uma determinada região. É como se o jogo recontasse o folclore ou o mito para uma geração nova. É sobre alguns desses jogos que vamos nos debruçar agora.

Vamos aos exemplos!

Que tal começar com algo próximo? Então vamos direto para a mitologia grega. Dificilmente alguém ficaria chocado com a ideia de um cavalo de madeira parado às portas de uma cidade. Sereias, centauros, cavalos com asas, minotauros e tantas outras fazem parte do nosso imaginário. Esse universo foi brilhantemente explorado em games como Age of Mythology (Ensemble Studios, 2002) e a série God of War (2005 – 2018).

Cena de Age of Mythology na qual a estátua viva de Poseidon guarda os portões do submundo.Clique aqui para ler um artigo de um blog universitário (em inglês) sobre AoM e a mitologia grega.No primeiro, os jogadores assumem o papel de um navegador que é forçado a viajar pelos territórios de três culturas diferentes (gregos, egípcios e nórdicos). Em cada uma delas, somos apresentados a eventos, dilemas morais, criaturas mitológicas, construções e assim por diante. AoM nos leva num vôo panorâmico sobre essas culturas. Além do entretenimento, esse game é uma porta de entrada conheceremos um pouco de cada uma dessas mitologias.

God of War, por outro lado, ambienta-se na Grécia e em ambientes mitológicos relacionados à mesma. O herói trágico, Kratos, é controlado pelos jogadores numa série de combates violentos em busca de destronar os deuses e vingar sua família. As releituras de personagens e eventos são interessantes e a direção de arte do jogo foi ousada para o período. De fato, há algumas cenas onde os jogadores não são poupados da nudez e violência em torno dos personagens.Kratos enfrenta uma quimera em God of War III.

Outro caso que merece destaque, ainda que tenha chegado ao mercado recentemente, é o game Assassin’s Creed Odyssey. Seus trailers apresentaram aos jogadores diversos monstros e ilhas no recortado litoral grego. Além disso, nos deparamos com cidades-Estado e suas praças públicas, as famosas ágoras. Ao que parece, este será um excelente game para quem curte História e mitologia.

Mas para que serve essa discusssão sobre Mitologia?

Como diria o mitólogo estadunidense Thomas Bulfinch, a mitologia já não pertence mais à teologia (incluídas aí a cosmogonia e a cosmologia). Hoje, que para ele era o século XIX, ela está vinculada à literatura e ao bom gosto. Para ele, a mitologia perdura por estar vinculada à poesia e às belas artes. Assim, os leitores de seu livro poderiam se distrair e “adquirir conhecimentos indispensáveis a todo aquele que quiser se familiarizar com a boa literatura de sua própria época”.

O conhecimento acadêmico das belas artes e as demonstrações de erudição eram  valores típicos da sociedade dos mil e oitocentos. De lá para cá, os mais diversos tipos de cientistas sociais parecem ter compreendido algo sobre a mitologia que é ainda mais interessante e profundo. Os personagens e histórias continuam vivos pois, de algum modo, nos servem de espelho. Esse arquétipos são, na verdade, índices. Eles nos ensinam sobre aspectos importantes da vida, fornecem lições, exemplos de comportamentos e assim por diante.

Mãos à obra!

Finalizamos o texto, portanto, com um convite. Que tal escrever nos comentários algo que vocês aprenderam (lições de vida, informações diversas, novas perspectivas, conteúdos escolares e assim por diante) jogando videogame?Enquanto o próximo artigo não chega, que tal assistir um vídeo meu sobre games e mitologia?