Battlefield V: Segunda Guerra Mundial, mas nem tanto.

Battlefield V: Segunda Guerra Mundial, mas nem tanto.

12 de junho de 2018 0 Por George De Conto

Battlefield V Logo

Neste final de maio tivemos o anúncio do mais novo jogo da série Battlefield, sem novos títulos desde 2016, Battlefield V, ambientado na segunda guerra mundial. A série faz sucesso desde 2002, com seu primeiro título Battlefield 1942, já tendo passado por mais de dez títulos, sem contar expansões. Battlefield V carrega um nome de peso, com uma imagem a manter, contudo, o trailer inicial do jogo deixou muita gente desapontada.

Trailer problemático

No início do trailer temos um tanque carregado de tralhas parando na frente de uma casa. Em seguida um bando de soldados com pintura de guerra invadem a casa. Dentre estes, uma mulher com um braço protético que já entra levando um tiro. O soldado negro sobre correndo as escadas, e ao chegar no segundo andar da casa, vemos um paraquedista britânico (dá pra identificar pela boina vermelha) com uma katana nas costas. Ele vê dois tanques se aproximando da casa e pula pela janela, e logo depois a mulher (que há alguns segundos atrás estava caída após tomar um tiro) se junta a ele fugindo da casa que começa a desabar quando os tanques assumem que o primeiro andar é um caminho perfeito para passar.

Após algumas cenas de ação temos o “gameplay”. O “jogador” corre freneticamente de um lado para o outro, disparando contra diversos inimigos, e até mesmo explode um avião disparando contra uma granada que passava por ali. Por fim, o “jogador” é derrubado por um soldado alemão, logo sendo salvo pela mulher de braço protético que arrebenta o soldado alemão com um taco de cricket embrulhado em arame farpado.

Ok, vamos por partes…

Mulheres lutaram na segunda guerra, tanto em forças de resistência (como a famosa resistência francesa) quanto parte de exércitos regulares (a União Soviética tinha destacamentos compostos inteiramente de mulheres). Contudo, não acho que uma mulher (ou qualquer pessoa) com uma prótese no lugar do braço fosse tomar as linhas de frente em um combate. E acho que bastões de cricket envoltos em arame farpado não eram muito populares nos campos de batalha, apesar de ter um maluco que foi pra guerra de arco, espada e gaita de fole.

As pinturas faciais a princípio não tem muito problema, soldados pintam a cara para se camuflar, mas me pergunto: por quê azul? Imagino que os soldados tinham consigo pintura de camuflagem, que em geral é preto, marrom e verde. Onde eles arranjaram aquele azul bebê, pegaram o primeiro pote de guache na papelaria da esquina?

Soldados negros na segunda guerra? Sim, estavam lá. Um ótimo filme sobre o assunto é “Milagre em Sta. Anna”, do Spike Lee, sobre soldados negros americanos na segunda guerra. Não podemos esquecer que vários dos países europeus envolvidos na guerra tinham colônias na África, e não me surpreenderia se eles “recrutassem” soldados nestes lugares.

A katana nas costas do paraquedista britânico. Bom… a guerra chegou até o Oceano Pacífico, onde os aliados enfrentaram o Japão, e oficiais japoneses muitas vezes tinham suas katanas. O Reino Unido participou das batalhas no Pacífico, principalmente através de países como Austrália, Nova Zelândia e Índia. Então, quem sabe, podemos fingir que aquele paraquedista lutou no pacífico, no final de 41/início de 42, e depois acabou indo parar na Europa para continuar a guerra.

Em resumo, o trailer nos mostra uma versão plausível, porém muito improvável, da segunda guerra mundial vista pelos olhos de Michael Bay. Sinceramente, eu esperava algo no estilo de “O Resgate do Soldado Ryan”.

O que o trailer não mostrou

Quando assisti o trailer pela primeira vez, fiquei desapontado, tudo me pareceu muito fantasioso. O anúncio oficial do jogo também não foi muito esclarecedor, pois muito pouco foi dito (ou pelo menos, dito sem esclarecer detalhes). Acompanhando as notícias ao longo dos dias seguintes, as coisas foram melhorando, apontando mudanças importantes no jogo em relação aos seus antecessores.

  • Agora os jogadores não podem mais regenerar seus pontos de vida simplesmente se escondendo em algum lugar. Ao fazerem isto, apenas parte destes pontos se regeneram, o restante deve ser recuperado com kits médicos. Para mim esta é uma bela novidade, já que em versões anteriores do jogo não valia a pena atirar contra um inimigo sem ter a certeza de que há uma chance de derrotá-lo de uma única vez.
  • Outras mudanças pretendem forçar um estilo de jogo que favoreça com que os jogadores se mantenham juntos de seus esquadrões. Caso você morra em batalha, qualquer membro do seu esquadrão pode ressuscitá-lo, mas você não retornará com todos os seus pontos de vida. Para isto, é necessário que um médico ressuscite, sendo que ele pode ressuscitar qualquer jogador, independente do esquadrão que este faça parte.
  • Os jogadores começam com menos munição do que em jogos anteriores, isto torna necessária a cooperação dentro do time. Jogadores da classe suporte tornam-se mais necessários para suprir seus companheiros, que por sua vez devem manter-se próximos a fim de manterem seus estoques de munição cheios.
  • Os esquadrões ganham pontos de acordo com seu desempenho. Estes pontos podem ser usados pelo líder do esquadrão para auxiliar seu time, permitindo coisas como chamar ataques de artilharia, caixas de suprimentos ou veículos especiais.
  • Os jogadores podem defesas: trincheiras, barreiras com sacos de areia, obstáculos para impedir a passagem de veículos, entre outros. Contudo, estes defesas não podem ser construídas em qualquer lugar, apenas em pontos pré-determinados do mapa.

Todas estas mudanças prometem que o jogo seja melhor que seus antecessores. Nesta E3 diversos jornalistas e youtubers tiveram a chance de jogar uma versão teste deste novo Battlefield, de onde podemos ter uma ideia melhor de como são as coisas. Os gráficos são bonitos, a destruição do cenário chama a atenção, e a ação continua a mesma dos títulos anteriores. Mas… não me empolgou muito.

Acredito que vá ser um bom jogo, sem dúvida. Também acho que será melhor que os anteriores, ainda que seja cedo pra afirmar, pois não sabemos como serão todos os mapas disponíveis (pra mim isto faz muita diferença, é a razão de eu preferir Battlefield 3 em relação ao 4). Mas, depois do trailer, e mesmo depois dos gameplays que assisti, pra mim não tem cara de segunda guerra mundial.

Começando pelas customizações possíveis para os soldados. São todas plausíveis para a época, mas aposto que a exceção vai se tornar a regra, e encontraremos um monte de gente correndo por aí com máscaras, pintura de guerra e braços protéticos. Dentre as armas, já vi uma submetralhadora com um red dot sight, algo que nem se imaginava naquele tempo. A construção das fortificações parece mágica, um espírito que ganha vida diante dos seus olhos, se materializando depois de dois segundos martelando uma parede fantasmagórica ou cavando um buraco ilusório. Claro, é Battlefield, é um jogo, não foi criado para ser uma representação fiel da segunda guerra mundial. Talvez eu esteja esperando demais, ou talvez minhas expectativas venham a ser realizadas quando pudermos ver mais do jogo.

Resumo da ópera

O anúncio do jogo não foi dos melhores, com o tempo mais informações surgiram e tornaram Battlefield V um jogo promissor, e possivelmente melhor que os anteriores. Se você está buscando um jogo de ação, que faz justiça aos outros Battlefields, e que se passa na “segunda guerra mundial”, fique de olho em Battlefield V, previsto para outubro deste ano. Estará disponível para PC, Xbox One e PS4.

PS: se você quer um jogo realista de segunda guerra mundial, fique de olho em Post Scriptum 😉